quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Sem gravidade

Quando perguntei, só por curiosidade, a um amigo neurologista os motivos de uns sonhos estranhos que me perseguiam, ele respondeu que meu subconsciente estaria querendo se livrar de meu lado velho, de um modo de vida que, apesar de alheio ao bom senso, eu continuara persistindo em seguir. Eu nem desconfiava que, além dos amigos mais íntimos, minha mente também lutava contra os desejos insanos do meu coração. Esse duelo pode ser uma boa explicação para as dores constantes nos ossos. O espírito não estava em sintonia com o corpo. Daí a explicação para as não menos intensas dores vasculares... Doutor, me dá um remédio para a alma! Se não achar, me diz qual a fórmula capaz de ressuscitar esse músculo que acaba de me deixar com um buraco enorme no peito!

O mesmo médico me explicou também que quando a gente se livra do tal lado velho, o coração encara essa mudança como um luto. Cada dor, um luto. É assim que me sinto hoje. Não pela chegada de uma perda. Mas por ter me dado conta dela. Essa conscientização me veio com um rasgo desumano. Eu não percebera o luto ou não o aceitara porque nesse período minha alma travara uma grande guerrilha contra a razão. Acredito que nenhum deles saiu ganhando. E eu me perdi... E acabei encontrando a resposta para o que estou sentindo agora. Careço de força de gravidade. Estou solta, flutuando sozinha, com tempo suficiente para pensar no nada que encontro em volta. Já haviam me dito que o amor envolve riscos e que a vida não é nada mais do que poeira, desejo, invenção, fantasia, vontade... Vou tentar ser apenas racional. Um velho amigo já me alertou: “o coração, se pudesse pensar, pararia”.

Myllena Valença

4 comentários:

Jussara Soares disse...

Ah, se ele pudesse... Nos pouparia grandes dores, mas não nos permitiria as melhores alegrias - a que vem do não pensar, da insensatez. Viver é risco, né?

Renata Morais disse...

Myllena, maravilhoso o seu blog, sempre interessante. Já mostrei para todas as minhas amigas e nem precisa dizer que adoraram né?

Beijos

Juli disse...

Sinto-me assim, My: sem gravidade... Mas quem disse que eu não adoro? Lindo texto!

Larissa disse...

Myllena, Muito massa o seu blog, muito preciso as suas informações e assuntos.